7. GUIA 15.5.13

1. REVOLUO NA QUITANDA
2. PEQUENAS NOTVEIS
3. DO CAMPO PARA A GNDOLA
4. A ESPIGA FICOU DOCE

1. REVOLUO NA QUITANDA
DE OLHO EM UM FILO DE CONSUMIDORES EXIGENTES, ALGUMAS EMPRESAS AGRCOLAS TM TROCADO A ALTA PRODUTIVIDADE POR COLHEITAS MENORES MAS MAIS SELECIONADAS, EM QUE O SABOR PARTICULAR E INTENSO  O GRANDE ARGUMENTO DE VENDA.

Variao do tomate-cereja, o sweet grape ou tomate-uva, como  popularmente conhecido,  um exemplo de produto que se tornou procurado nas gndolas mais pela marca do que pela variedade. S em uma das grandes redes de supermercados do pas, as vendas do tomatinho saltaram de 3,2 milhes de unidades em 2010 para 5,5 milhes no ano passado  um crescimento de 70%. Da mesma forma, o melo batizado de Rei (aquele da redinha) ganhou destaque entre os meles amarelos. Em comum, os produtores tm a busca pela semente hbrida perfeita (veja o quadro), a poltica de evitar tanto quanto possvel o uso de defensivos agrcolas e o desenvolvimento de tcnicas de preparo de solo. plantio e irrigao que garantam a colheita de frutos mais apetitosos.

MINIMA
E hbrido? No
Antes de ganhar apelo entre as crianas e ser vendida em embalagens individuais, j pronta para o consumo, a minima era apenas mais uma fruta a granel desvalorizada diante das mais gradas. "A ideia de associ-la ao pblico infantil foi a grande sacada", diz Wilson Passos, gerente de vendas da Fischer Agroindstria, produtora das minimas Turma da Mnica  a marca pioneira e ainda mais popular da frutinha. Ele explica que os produtos, das variedades Fuji e Gala, nada mais so do que frutas que cresceram menos em relao a outras geradas pela mesma macieira. No controle de qualidade, so embaladas aquelas que se destacam pela perfeio da casca e pela maior resistncia da polpa. "Em comparao com as mas gradas, as mini so mais crocantes", diz Passos 
Preo: 5 reais o quilo  20% mais alto do que o das mas convenciona

MELO REI
 hbrido? Sim
Desde que comeou a plantar o melo Rei, a empresa agrcola Itaueira j mudou cinco vezes de semente. Algumas das trocas foram ocasionadas pelo surgimento de pragas; outras, pela busca de fornecedores com melhor preo. Neste momento a semente vem de uma multinacional do ramo cujo nome  mantido em sigilo pela empresa. Segundo Jos Roberto Prado, um dos proprietrios da Itaueira, os cruzamentos deram-se a partir de variedades com potencial de conferir aroma, sabor e textura competitivos ao melo, A mesma semente  usada por outros produtores, mas com resultados diversos. "A forma de cultivo tambm influ de maneira decisiva no fruto que ser colhido", diz Prado. Envoltos em uma rede com o slogan Sou Saboroso para diferenci-los dos demais meles, os da marca Rei so colhidos apenas quando esto prontos para consumo. "Colher antes no faz sentido, pois na fruteira ele s tende a envelhecer. No ganhar mais sabor", explica Prado. Nas fazendas onde so plantadas, nos estados do Cear, da Bahia e do Piau, as frutas passam por degustaes dirias. As mais nobres, com cascas intactas, polpa verde-clara, quase branca, e grau brix (medida do teor de acar) igual ou superior a 11, so embaladas com a marca Rei. As demais, com as marcas Cepi e Dunort
Preo mdio: de 6 a 7 reais o quilo  o dobro do valor do melo amarelo comum

TOMATE SWEET GRAPE
 hbrido? Sim
Fruto de uma semente que levou mais de dez anos para ser desenvolvida, o sweet grape  da famlia do tomate-cereja e conquistou o consumidor por seu formato pequeno e alongado  como o das uvas thompson , pela baixa acidez e pelo sabor adocicado, com 8 graus brix em vez dos 5 comumente encontrados no tomate. "A ideia  que ele possa ser consumido no s da maneira habitual, mas tambm sozinho, como qualquer outra fruta", diz o engenheiro agrnomo Marcello Takagui, da Sakata, empresa japonesa que comercializa a semente do tomatinho. Colhidos manualmente, eles so plantados em vasos e abrigados em estufas, onde recebem gua de forma controlada. Devem ter entre 10 e 15 gramas por unidade e um vermelho intenso compatvel com o da tabela de cores entregue aos agricultores. Como parte do controle de qualidade, tcnicos da empresa fazem visitas quinzenais s plantaes. Diante das exigncias, o nmero de produtores capacitados caiu de 250, em 2010, para apenas 35 neste ano
Preo: de 4 a 5 reais a caixa com 180 gramas  o dobro do cobrado pelo tomate-cereja comum.

HBRIDOS x TRANSGNICOS
Com o objetivo de aumentar a produtividade, a qualidade e a resistncia das plantaes a pragas, ou ento criar produtos que agradem mais ao paladar do consumidor, o setor agrcola submete diversas espcies de plantas a programas de melhoramento gentico. Eis as diferenas entre eles:
Hbridos: o cruzamento gentico  feito no campo. Com a ajuda de pinas e cotonetes, o agricultor transfere o plen de uma planta para outra de mesma espcie, mas de variedade distinta, dando origem a uma terceira variedade. Essa polinizao tambm pode ser feita com a ajuda do vento ou de abelhas, e o processo  repetido at que se chegue a uma semente que rena todas as caractersticas desejadas. A partir dessas sementes hbridas  que so criados, por exemplo, tomates mais doces ou meles mais saborosos
Transgnicos: a modificao gentica ocorre em laboratrio. Sequncias de DNA so transferidas de um organismo para outro, seja ele da mesma espcie ou no. Hoje, no Brasil, so produzidos milho, soja e algodo transgnicos. "No milho Bt, por exemplo, usa-se o gene de um bacilo para protege-lo da ao de lagartas", explica o engenheiro agrnomo Francisco Arago, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (Embrapa)


2. PEQUENAS NOTVEIS
Apesar de existirem h pelo menos uma dcada, as verses reduzidas de frutas e vegetais continuam fazendo sucesso nos pontos de venda 

MINICENOURA 
No, nem ela  colhida antes da hora nem cresce assim pequenina naturalmente. Para chegar a esse formato gracioso, os produtores plantam uma variedade mais fina, comprida, doce e crocante da cenoura. Depois, ela vai para uma mquina onde  descascada, cortada e ento torneada. Em geral, uma cenoura rende at trs unidades da mini 

MINIMILHO 
Com cerca de 10 centmetros de comprimento e pouco mais de 1 centmetro de dimetro, os minimilhos nada mais so do que hortalias plantadas em uma rea equivalente a um tero da dedicada aos milhos tradicionais. Assim, a concorrncia por nutrientes, gua e sombra faz com que cresam menos. A colheita  feita em sessenta dias  metade do tempo que o milho convencional leva para se desenvolver  

MINIPERA 
Originria da Itlia, onde  conhecida como coscIa, a pra ercoline vendida por aqui costuma ser importada do Chile. Uma variedade da espcie Pyrus communis, ela chama ateno por ter mais ou menos a metade do peso e do tamanho de outras variedades de pra, como a williams e a portuguesa. Por isso, assim como as minimas, tem feito sucesso com o pblico infantil. Quando madura, a fruta tem a casca amarelada e uma polpa branca, doce e granulada


3. DO CAMPO PARA A GNDOLA
Adotados pelas principais redes de supermercados do pas, os programas de rastreamento permitem que o consumidor conhea a origem de carnes, frutas, verduras e legumes 

GRUPO PO DE ACAR
www.qualidadedesdeaorigem.com.br 
Cerca de 80% dos hortifrtis do grupo so monitorados. Para saber qual fazenda produziu o alimento, assim como quem o processou e distribuiu, o consumidor pode digitar o nmero de rastreamento no site do programa ou escanear o cdigo do produto por meio de um aplicativo baixado no smartphone. Alm de fazer visitas regulares aos produtores, uma equipe tcnica do grupo submete os alimentos a anlises mensais para detectar a presena de bactrias e coliformes fecais ou resduos agrotxicos acima do permitido 

GRUPO CARREFOUR 
www.garantiadeorigem.com.br/conheca 
No site do programa  possvel saber por quem e quando foram produzidos no s hortifrtis como carnes, peixes, sucos e ovos. Reduzir o uso de defensivos agrcolas e vetar a utilizao de hormnios de crescimento  no caso das carnes  so algumas das exigncias impostas aos participantes do programa. Mas a fiscalizao em campo  feita apenas uma vez por ano, assim como a anlise de resduos agrotxicos 


4. A ESPIGA FICOU DOCE
Quem consome milho em conserva j provou o sabor do milho-doce. Presente em quase todas as verses enlatadas, ele nada mais  do que uma variao hbrida do milho-verde convencional. A diferena est na concentrao de acar, que, em vez de 3%, varia entre 15% e 25%. "A tendncia  que, assim como ocorre em pases como Estados Unidos e Argentina, as pessoas passem a consumir o milho-doce tambm na espiga", diz Cristiano Lutkemeyer, da Syngenta, empresa sua produtora de sementes e defensivos agrcolas. Em grandes centros isso j vem ocorrendo. Segundo Leonardo Miyao, diretor comercial do Grupo Po de Acar, o milho convencional, vendido na palha, s d as caras no perodo junino, quando o consumo aumenta. "Fora dessa poca, at o milho vendido na bandeja  o doce", diz ele. O sucesso tem explicao: alm de saboroso, o produto  mais macio e tem o pericarpo (pelcula que reveste o gro) mais fino, o que acelera seu cozimento. Um contrassenso, porm: por causa de sua baixa concentrao de amido, o milho-doce no pode ser usado no preparo de quitutes como curau e pamonha. O milho tradicional, portanto, continua tendo sua importncia  mesa

Outras fontes consultadas: os engenheiros agrnomos Flavia Franca Teixeira, Israel Alexandre Pereira Filho e Jos Carlos Cruz, da Embrapa, e a empresa Mister Rabbit

GABRIELLA SANDOVAL gabriella.sandoval@abril.com.br 


